O que é in e o que é off na decoração da casa brasileira por Allex Colontonio, da revista Kaza

“Tendências existem para serem absorvidas a partir das referências pessoais de cada um. Tendência não é uma regra. E mais, as casas precisam contar histórias das pessoas, não a do arquiteto. O profissional tem sim é que captar a essência do morador e materializar isso na execução do seu trabalho.”

Concordo plenamente. A frase foi uma das citadas pelo jornalista Allex Colontonio, diretor de Redação da revista Kaza, que fez um rasante em Florianópolis nessa manhã para um bate-papo com arquitetos, decoradores, designers de interiores e jornalistas da área, além de interessados pelo universo do décor. Allex veio a convite do Shopping Casa&Design para falar o que é IN e o que é OFF na decoração da casa brasileira contemporânea.

allex colontonio 1 - Foto Divulgação Kaza
Allex Colontonio atua há quase 20 anos como jornalista da área de decoração e arquitetura. Foi pioneiro na web com o blog allexincasa, na última década dirigiu as revistas Casa Vogue e Wish Casa (projeto do qual foi um dos criadores). Atualmente está à frente da direção de Redação da revista Kaza, uma das principais publicações brasileiras no segmento. É colunista de arquitetura e arte dos jornais Zero Hora e Diário Catarinense, das revistas Harpers Baazar e Lofficiel Brasil e colaborador de publicações internacionais como Bloom, de Li Edelkort, além de ministrar palestras sobre tendências de design pelo Brasil 

 

Participei do encontro realizado no hotel Majestic e compartilho aqui um pouquinho do que filtrei. Vejam quais são as dicas quentes e os pecados capitais do cenário do décor.


As macro TENDÊNCIAS foram apresentadas em cinco temas principais:


1 – Arte brasileira

Cada vez mais valorizada, nas suas diferentes frentes, começa a reverberar fora do país. Citou as artes plásticas com referências na área como Beatriz Milhazes, Vik Muniz e Adriana Varejão
Allex aposta muito na fotografia. Diz que no segmento da arte hoje é uma das mais acessíveis e ganha dia a dia mais valor no contexto do décor. 
Ainda no quesito da arte, estão em alta os artistas concretistas que ressaltam em seus trabalhos efeitos ópticos, que segundo o jornalista, é um tipo de arte que prende as pessoas pela emoção. Nesta linha, Allex exemplificou com obras de Lygia Clark, Hercules Barsotti, Luiz Sacilotto, Geraldo de Barros, entre outros artistas do concretismo.
Destaque ainda para a onda do hiper-realismo, do grafite – este mais quente do que nunca, e das esculturas naturais.


2 – Design do autor

O jornalista ressaltou a excelência da marcenaria brasileira e pontuou nomes importantes entre os clássicos da mobília, a exemplo de Lina Bo Bardi, Sergio Rodrigues, Zanine Caldas e Joaquim Tenreiro. 
Falou também dos jovens designers, muitos deles reconhecidos pelo trabalho primoroso e pelo cuidado que têm com a ergonomia. “Os jovens trabalham no limite da arte, mas com peças com potencial mercadológico”, destacou. E para nosso orgulho, muitos deles são do Sul do Brasil. Temos Jader Almeida e Bruno Faucz, de Santa Catarina, Henrique Steyer, Luia Mantelli e Carlos Eduardo Silva, do Rio Grande do Sul.
Outra frente é o design artsy, com móveis esculturais, mas totalmente usáveis, que unem estética, funcionalidade e ergonomia. Leo Capote, Carol Gay, Rodrigo Almeida e Inês Schertel vão nesta tendência com o desenvolvimento de peças singulares. São profissionais que falam de um Brasil não brejeiro, mas tecnológico.
Os móveis híbridos, onde uma única peça acumula várias funções, adequados aos modelos de moradias contemporâneas, de espaços cada vez mais reduzidos, e móveis em edições limitadas também estão em alta.

3 – Vanguarda vintage

O perfume retrô continua no ar. E mais: além do profissional, hoje a indústria acordou para o vintage. O mercado oferece um acervo de peças com essa característica, mas de uma forma mais contemporânea.
Na linha desta tendência destacam-se o estilo neoindustrial, a volta do acrílico como matéria-prima vintage, o grafismo, os acabamentos metalizados com pegada atual que podem aparecer num móvel inteiro ou em detalhes, o flower power que é a aposta máxima no uso das flores na decoração, seja em arranjos, pinturas, estampas, nos tapetes.

 

4 – High Low

Como bem lembrou Allex, a decoração não é tão efêmera quanto na moda. Não trocamos de sofá, como trocamos de calça jeans, por exemplo. Mas para sobreviver no mercado de hoje é preciso fazer o exercício do high low, saber misturar peças de design, de grife a outras de marcas menos conhecidas e muitas vezes com preço mais acessível. “Na casa brasileira as pessoas têm medo de apostar em marcas ascendentes. Hoje o grande pulo do gato é o profissional contemporâneo, arquiteto ou decorador, fazer o exercício do high low em seus projetos”, diz o jornalista.
Isso é possível com o uso objetos da arte popular. O capim-dourado do Jalapão e a cerâmica Marajoara são riquezas da cultura nacional ainda pouquíssimo explorados.
Outra coisa: ninguém precisa decorar uma casa inteira com móveis destas lojas de varejo bastante conhecidas, marcas acessíveis, mas elas oferecem produtos mais em conta e que podem fazer grande diferença no décor.
Também têm tudo a ver com esta tendência itens de plástico e silicone, e o reúso de peças antigas, agora com uma nova função.

 

5 – O último grito

O que há de mais IN na decoração da casa dos brasileiros?
– a volta das curvas, da sinuosidade tanto na arquitetura, projetos de interiores quanto  no design de mobiliário, a exemplos dos sofás mais arredondados que estão em voga
décor na moda – é sempre bom ficar atento ao que a moda está falando e observar o que se converte para o décor
– o japonismo está no ar com seu purismo poético. Que sejam bem-vindas as referências nipônicas. “Dizem que os toy art vão voltar com tudo também em 2016.”
materiais tecnológicos – aqui entram o bambu e o corian, matérias-primas de extrema performance
jardins verticais – numa conexão com a natureza
o brutalismo – como disse Allex: “é o tempo da verdade dos materiais, de descarnar as paredes, deixar o concreto à mostra.”

 

Agora vamos aos SETE PECADOS CAPITAIS na decoração, na visão bem pessoal do jornalista Allex Colontonio.

roubo de direitos autorais, a cópia dos clássicos, peças de design fake
arte blockbuster pasteurizada
plantas de plástico – never. “Elas não morrem, mas matam de desgosto.”
uso indevido da cor – iluminação colorida, uma única parede pintada de cor diferente, uma casa 50 tons de bege, que mais parece um showroom
perfis falsos de gesso – colunas greco romanas e lareiras fake
taxidermia“Animais empalhados eu tô fora.”
– falta de personalidade – “Projetos sem personalidade mais parecem uma página em branco.”

 

Caros leitores deste blog, a manhã desta quinta foi bem produtiva. Poder ouvir alguém que se admira e de quebra absorver um pouquinho do que ele domina e do qual curto é melhor ainda.
Obrigada Allex por dividir com a gente um tiquinho do que sabes, do que pesquisas sobre este universo apaixonante da decoração. 

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