Artista Diogo Vaz Franco apresenta performance acrobática no solo Prometeu

Espetáculo gratuito que tem inspiração na história da mitologia grega estreia no dia 15 de junho, às 19h30, no Jurerê Sports Center, em Florianópolis

Prometeu, o titã grego que capturou o fogo dos deuses e entregou-o aos homens, sempre povoou os pensamentos do artista Diogo Vaz Franco. A potência poética do personagem abria muitas possibilidades de entendimento e criação, especialmente, no trabalho de acrobacias circenses, linguagem de movimento que ele pesquisa há mais de uma década.

Agora, com a conquista do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, no primeiro semestre deste ano, Diogo passou a encarar o mito de frente e transportar a história para o corpo. O resultado deste processo ele apresenta no dia 15 de junho, às 19h30, no solo Prometeu, no Jurerê Sports Center (JUSC). A entrada é gratuita.

“O mito de Prometeu fala sobre o amor do criador sobre a criatura. Prometeu é um titã, com acesso a todos os privilégios das divindades, mas que tem o desejo de subverter essa relação desigual/desleal, sem se importar com as conseqüências. Ele abala o poder instituído através de brechas que encontra (ou cria). Seu ato maior foi ter roubado (ou devolvido) o fogo à humanidade. Prometeu sofre as consequências de seus atos, em nome do bem maior, como um mártir, um herói.”   Diogo Vaz Franco

“Dentro das artes circenses, não é comum ver espetáculos solo acrobáticos. A proposta deste projeto é trazer para o âmbito das acrobacias (aéreas e solo) o movimento já existente na palhaçaria: a atuação circense em espetáculos solo. A personalidade de Prometeu será revelada dessa forma. O personagem que sempre usa de artimanhas e estratagemas para ludibriar os deuses em prol da humanidade, me inspira no trabalho com acrobacias de solo, enquanto seu destino cruel em ser acorrentado a uma montanha por ter roubado o fogo dos deuses, remete diretamente às acrobacias aéreas. Assim como na Grécia Antiga, onde os mitos existiam como forma de entender a vida, acredito que a história serve como metáfora para pensarmos nossa realidade. Em nossa contemporaneidade, na situação política, social e ética que vivemos, podemos lançar mão desta figura histórica para pensar o mundo, e pensar em nós mesmos diante deste mundo”, contextualiza o artista performático.

O processo criativo

Livros, textos acerca do tema, poemas, discussões e interpretações. Foi vasto o material organizado na primeira fase do projeto e, logo após, diluído em elementos-chave que mapearam os personagens e os atos contidos no conto. “Estudamos as possíveis linguagens de movimentação. Trabalhamos dinâmicas, como por exemplo, a cena que Diogo atravessa alguns percursos pisando nos livros, remetendo ao roubo do fogo e o ato de levar o poder-conhecimento à humanidade. Selecionamos técnicas de elementos acrobáticos, criamos sequências, injetando toda a parte contextual e interpretativa do mito”, explica a diretora do espetáculo Nickolle Abreu.

Dos elementos presentes em cena, o fogo representa o poder do conhecimento e também a dualidade. Segundo o filósofo e músico Paulinho Brandão, que contribuiu com dramaturgia no processo criativo do espetáculo, a história questiona até que ponto o excesso de conhecimento não é o motor da desmedida ação do homem. E ainda lança a pergunta: “Como frear essa arrogância irracional que nos conduz? Essas reflexões, que a meu ver são questões atualíssimas, se pensarmos no desenvolvimento técnico que nos põe em xeque diante da natureza, são na verdades suscitadas no próprio mito de Prometeu”, argumenta.

SERVIÇO:

O que: Estreia do Solo Prometeu
Quando: 15 de junho
Horário: às 19h30
Onde: Jurerê Sports Center (JUSC), em Jurerê Internacional
Endereço: Av. dos Dourados, 481 – Jurerê, Florianópolis
Entrada: Gratuita
Vagas: 150 lugares

Ficha Técnica

Direção: Nickolle Abreu
Acrobata: Diogo Vaz Franco
Trilha Sonora: Hedra Rockenbach
Técnico: Jean Machado
Assessoria Dramatúrgica: Paulinho Brandão
Apoio: Circocan e Jurerê Sports Center

*** Texto com informações da assessoria de imprensa.

Fotos: Cris Prim

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