Juarez Machado é um deboche

A festa em homenagem ao artista plástico Juarez Machado foi um sucesso. Estive presente e, por isso, tiro minhas próprias conclusões. Ele é uma pessoa encantadora e adora ‘tagarelar’. Sendo assim, aproveitei para ouvi-lo num bate-papo e saber mais sobre o mais novo trabalho, resultante da comemoração dos seus 70 anos, completados no dia 16 de março deste ano e que será festejado até março de 2011. Eis a entrevista:

FEITO CASULO: O que as pessoas podem esperar desta exposição de 70 obras que têm como inspiração a comemoração dos seus 70 anos?


JUAREZ MACHADO: Com esta exposição, as pessoas podem conhecer a mim. Na verdade, é uma grande piada, é um grande deboche a mim mesmo. Eu me usei como tema, em todos os quadros é possível perceber. Metade da exposição está pronta, a de Paris. Está sendo feito um livro, que será lançado, um catálogo da exposição. São 35 quadros em Paris.

São uns quadros que eu pintei até de uma maneira um pouco diferente das outras exposições. Todos os convidados são em preto e branco, o aniversariante, que sou eu, às vezes eu mesmo, às vezes em forma de mulher, às vezes em forma de bonito, de feio, de magro, de gordo… não fiquei preso ao meu próprio retrato, à minha própria caricatura. Eu usei um aniversariante que somos todos e eu faço uma brincadeira, meio debochando de mim, me autocriticando de uma forma brincalhona, que na verdade, como sou uma pessoa extremamente normal… é cada um, é a vida nossa, é a nossa vida em relação às pessoas, as pessoas em relação a nós, é a família… a família de qualquer pessoa é a síntese do mundo.


FEITO CASULO: Todas as telas da exposição ’70 La Fête’ têm essa mesma característica?


JUAREZ MACHADO: Todas as telas eu fiz com essa linguagem para que o espectador da exposição, no terceiro quadro, ele já entenderia que é essa a linguagem, a personagem, o aniversariante é ele (a pessoa sempre colorida), mesmo não sendo ele. Tem um, por exemplo, que é um homem muito bonito, completamente nu, de tanguinha, caminhando sobre as velas de cada ano, de cada aniversário. Na tanguinha, que é uma folhinha de calendário está escrito 1941, 16 de março, domingo. Daí alguém me mandou um e-mail dizendo assim: “tinha que ser um domingo”. Eu respondi: “e fiz desse domingo um feriado nacional” (risos).

Este é uma personagem que fiz, jovem, atlético, bonito. Aí foi uma maneira de eu, inclusive, continuar a brincadeira. Quando eu mostro esse quadro eu falo pra todo mundo: “eu, nu, sou assim, vestido, sou feinho.”

Tudo foi pretexto para brincar. Essa brincadeira fiz para exposição de Paris e, agora, estou aqui no Brasil, onde fico até setembro trabalhando loucamente nos ateliês que tenho aqui em Florianópolis e em Joinville, já trabalhando para a exposição que eu transferi para março, quando acaba meus 70 anos.


Aliás, 70 anos é uma data tão ruim que só dura 12 meses, entendeu? (risos) Depois, já é 71, que não tem nenhum glamour. Por isso, já vou me preparando para os 80 anos.

A exposição no Brasil será em Curitiba com meu marchand, que se ocupa das minhas coisas no Brasil. Serão mais 35 obras.


FEITO CASULO: Quanto à exposição na França, as pessoas já têm acesso às obras?

JUAREZ MACHADO: Em outubro, quem for a Paris, não deixe de visitar a exposição na minha galeria, a qual já trabalho há 16 anos. A cada ano, faço lá uma exposição. A última foi “Em volta da mesa”, que foi bonita, simpática. A anterior foi “Jazz Dance”… é que eu gosto muito de jazz, escuto música o tempo todo, tenho som em  todas as minhas casas, que eu nunca os desligo. Tenho certeza que lá em Paris estão tocando minhas músicas, que eu deixo para purificar o ar. Tem gente que usa vela, incenso, flores. Eu uso a música para purificar o ar. Jazz me comove profundamente, porque é a síntese de todas as músicas, com jazz você faz qualquer valsa. A música é importante na minha pintura.


FEITO CASULO: Neste trabalho, então, dos 70 anos, você se divertiu?

FEITO CASULO: Nessa exposição eu me diverti, porque eu brinquei comigo e com o ser humano, que é a coisa que eu mais gosto. Eu não tenho cachorro, gato, não tenho aquário, plantas ornamentais. Eu tenho um jardim que eu fiz na marquise da loja, embaixo do meu quarto tem uma loja e tem uma marquise, daí eu fiz um jardim com vasos, enorme, que tem todo tipo de temperos. Tem cebolinha, basílico, tem alecrim e dois pés de oliveiras, que é coisa rara.


FEITO CASULO: Você cozinha?

JUAREZ MACHADO: Eu cozinho! Não sei cozinhar, mas sou metido a cozinheiro. A minha família toda é metida a cozinheiro, chef de cozinha. Minha ex-mulher foi a primeira brasileira a passar e se formar, em primeiro lugar, na escola superior de cozinha francesa Le Cordon Bleu. Eu era ajudante dela e quando ajudava ficava feliz. Ela me chamava para descascar cebola e lavar panela. Ela abusava do poder em cima de mim. Na França, sobretudo, cozinha é privilégio de homem, não de mulher. Aí ela se vingou dos homens fazendo eu cortar cebola. Mas, eu aprendi muito.


FEITO CASULO: Você foi convidado para fazer duas vacas da mostra CowParede em Santa Catarina. O que você está pensando para essas duas peças?

JUAREZ MACHADO: Surpresa!!! Já estão prontas, na minha cabeça. Daqui a 20 dias estou indo para São Paulo, para um ateliê que prepara as vacas. Uma será para Joinville com o tema Joinville e outra com tema Floripa. A ideia era fazer sobre surfe, mas essa não é minha praia, compreendeu? Eu achei uma coisa mais bonita, profunda, romântica, mais história nossa… é uma homenagem aos pescadores. Então, vai ser uma homenagem com humor, claro, porque esse é o meu jeito simples de ser. Mas é uma homenagem minha aos pescadores da Ilha, por quem eu tenho muito respeito. Em Joinville, é uma homenagem à chuva, sim, porque lá chove o tempo todo. Mas eu posso fazer essa brincadeira, porque sou nascido lá. Vocês vão se divertir com as minhas vaquinhas, porque estarei, eu, presente com a vaca. Aonde a vaca vai o boi vai atrás!!! Estou bem animado e será um prazer fazer isso, participar dessa exposição. É uma homenagem a dois amores. Eu tenho esses dois amores e sempre me sinto feliz com esses amores. Como um casamento, que são cidades… todos esses amores são cidades femininas, e todos eles são grandes e ótimos, fortes, mas insuportável mais do que três meses! Então, é o tempo… daqui a pouco vira íntimo e, quando fica íntimo, eu vou  mudando de lugar.


Abaixo, algumas pinturas da exposição 70 La Fête de Juarez Machado, onde ele brinca com o contraste do PB e o colorido.

 

Agora, registro da tietagem, claro.

Eu, Jana Hoffmann, Juarez Machado e a colega Simone Bobsin na foto de Fernando Willadino


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Produtora de SC é capa de revista nacional

A produtora Lica Paludo, de Florianópolis, abriu as portas da sua casa para a Revista Casa e Jardim e virou capa da edição de junho, comemorativa aos 58 anos da publicação.

A edição, que chegou nas bancas na sexta, dia 3, traz projetos de pessoas que seguem um estilo de vida diferente e suas casas refletem muito dessa magia.

Além da casa da produtora que reside na Capital, a revista evidencia o projeto barroco e aconchegante da dona de casa Zenilca de Navarro em Tiradentes (MG), o casarão de 1850 reconstruído pelo corajoso Milton Kanashiro em Belém (PA) e o apartamento de 150 metros quadrados do antenado arquiteto Maurício Arruda em São Paulo (SP).

 A edição de  aniversário mostra ainda fotos dos quartos de filhos de designers famosos. Marcelo Rosenbaum, Karina Vargas, Amélia Tarozzo e Marcela Pepe comprovam que até em casa esses profissionais não economizam em criatividade.



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Este mês tem Bazar Handicraft

Vejam que boa oportunidade para comprar o presente do Dia das Mães. Se pensa em dar um mimo diferenciado e feito com todo capricho, bem como ela merece, então não pode perder a segunda edição do BAZAR HANDICRAFT, em Florianópolis.

Anota na agenda: dias 29 e 30 de abril, das 14h às 21h.


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