Belas surpresas da Mostra Casa Nova

Gosto de me surpreender com as soluções, com as escolhas feitas, com os detalhes nos projetos pensados pelos profissionais em seus ambientes criados para a Mostra Casa Nova. Não por acaso, gosto de olhar tim-tim por tim-tim e identificar ideias simples, mas com significado peculiar. Sendo assim, decidi mostrar aqui registros encantadores. Valem uma pausa. E só para lembrar: a Pinacoteca Casa Nova no Mesc, em Florianópolis, tem apenas mais alguns dias. Vai até 27 de outubro.

Espiem!

A tela de Rodrigo de Haro (2012) mostra uma festa de máscaras no Carnaval do Clube Doze de Agosto. Repare que na janela ao fundo aparece o prédio do Mesc, palco da Mostra Casa Nova 2013. Da galeria Helena Fretta para o Office do Curador de Artes por BellaCatarina, do escritório Theiss Girardi

Obra de Rodrigo de Haro / Foto Ricardo Wolffenbüttel

Obra de Rodrigo de Haro / Foto Ricardo Wolffenbüttel

O grande painel que ganha uma das paredes do estar Um Sonho Tropical por MSB Móveis e Larco Home, projeto do escritório Guglielmi Salum, chega a convencer por conta da impressão perfeita. Chama-se D-Dream e é um papel de parede feito de fibras. Da marca francesa Iksel, trazido de Istambul para o ambiente

Papel de parede com impressão perfeita que até parece pintura / Foto Mariana Boro

Papel de parede com impressão perfeita que até parece pintura / Foto Mariana Boro

O efeito da sombra gerada pela escultura de bronze O Flautista, de Bruno Giorgi, na parede da Sala de Leitura, ficou espetacular. A peça ganhou destaque sobre a escrivaninha do acervo do Mesc no olhar da arquiteta Luciana Bossle

Escultura de bronze O Flautista / Foto Ricardo Wolffenbüttel

Escultura de bronze O Flautista / Foto Ricardo Wolffenbüttel

Parece mas não é. O espelho emoldurado remete a uma janela e reflete toda a Sala de Convívio Universo Afetivo por Sierra Móveis, projeto da arquiteta Estela Cislaghi

Espelho traz o desenho de uma janela / Foto Estela Cislaghi

Espelho traz o desenho de uma janela / Foto Estela Cislaghi

Continue Reading

Arte por todo canto

Sabe quando a televisão está ligada sem você assistir, mas de repente algo chama a atenção. Lembro de ter ouvido isso e achei que tem tudo a ver com o momento e divido com com vocês. “A arte é cíclica. Está nas ruas, delas vai para a galeria, para um museu, para a casa das pessoas.” Acredito totalmente, e hoje, de maneira mais constante, tanto pela democracia da arte quanto
pelo acesso que cada vez mais as pessoas têm à informação.
Nesse contexto, considero bem importante o papel do arquiteto, que ajuda a compartilhar tal conceito. Um exemplo é a proposta apresentada na Sala de Leitura, projeto de Luciana Bossle para a Pinacoteca Casa Nova. Ela instigou três artistas do grafite a fazerem uma reinterpretação da obra Fazendinha de Anita Malfatti, que está exposta na sala criada pela arquiteta. Apesar de ser nominado como um espaço de leitura, ele vai além e convida à contemplação. Driin, Danka e Ewerton Toy aceitaram o desafio. Danka diz que a obra feita por ele (à esquerda da foto) representa a delicadeza e a pureza do rosto feminino como uma floresta virgem. “A mente ou cabelo que tem uma copa de uma igreja, quer dizer o potencial da mulher nesse  aspecto, de ser sempre prática e ao mesmo tempo muito forte na forma de ligar com tantas coisas ao mesmo tempo.”
Driin lembra que Anita teve um momento no qual ela pensou em desistir de tudo, inclusive de pintar. Por isso, a intenção foi retratar na obra (à direita) o momento antes da pintura, a melancolia quase sagrada anterior à pintura. Não à toa a tela chama Medo de pintar… Anita.
Ewerton (tela central) buscou seguir uma visão de um sentimento entre a personagem e a vida dela na sua cidade natal, um lugar mais simples, mas que guarda as raízes, a história dela. “A artista interpretada tinha um lance meio melancólico, passando a mensagem muitas vezes de solidão”, finaliza.

Danka, Ewerton Toy e Driin reinterpretam a obra da série Fazendinha, de Anita Malfatti, a partir do conceito da arte urbana

Danka, Ewerton Toy e Driin reinterpretam a obra da série Fazendinha, de Anita Malfatti, a partir do conceito da arte urbana

Continue Reading

Arte em balões

Difícil não observar os dois trabalhos do catarinense Joelson Bugila na composição da Sala dos Licores por Ekomobile na Pinacoteca Casa Nova. O convite surgiu dos próprios autores do projeto – Claudio Oliveira, Jeferson Potestino e Carlos Malinski – que já tinham visto uma obra dele com balões. Eis que os profissionais acharam que a peça poderia fazer algum elo com as escamas-penas de Meyer Filho, o homenageado no ambiente. A partir daí, o artista contemporâneo foi convidado a fazer uma releitura do trabalho do “enviado de Marte”, que reinterpretou por meio de balões e tachinhas as famosas cristas de galo do mestre do surrealismo.
– Exploro os balões com suas formas, cores e texturas. Além de ter a relação com o lúdico, de coisas felizes como as festas de aniversário, o balão remete ao vazio, um questionamento que faço em nossas vidas. Mudamos de forma o tempo todo, agora já não somos os mesmos… E no desenho do balão existe uma forma de gota, que quando explorada na composição como quadro já transforma por si só um desenho-pintura da sua própria forma. Nas obras levadas ao ambiente, todos os balões emoldurados são pinados por alfinetes, suportes que são necessários – segundo Bugila – para a vida em si.

Obras criadas com balões por Joelson Bugila fazem uma reinterpretação dos galos pintados por Ernesto Meyer Filho

Obras criadas com balões por Joelson Bugila fazem uma reinterpretação dos galos pintados por Ernesto Meyer Filho
Foto: Mariana boro

Foto Mariana Boro

Foto Mariana Boro

Continue Reading