Entrevista Diogo Giácomo Tomazzi

Mesa Compee

Luminária Junina

Designer catarinense Diogo Giácomo Tomazzi, autor das peças acima e outras mais

Diogo Giácomo Tomazzi é conterrâneo, natural de Itajaí. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFSC, em Florianópolis. Começou a trabalhar em escritórios de profissionais na Capital, teve um período de experiência atuando ao lado do designer Marcelo Rosenbaum e, atualmente, vivendo em São Paulo, dedica-se à criação de móveis singulares.

No último Casa Nova, veiculado terça passada, dia 25 de fevereiro, publicamos uma matéria falando sobre o talento deste catarinense. Aqui, no Feito Casulo, a entrevista completa que fiz com Diogo.


FEITO CASULO: Quando começou a atuar na área?

Diogo Giácomo Tomazzi: Fiz estágio durante a faculdade no escritório de arquitetura Mantovani e Rita (Florianópolis), comecei desenhando na prancheta, algo impensável nos dias de hoje, mas que me ajudou a “soltar” o traço.


FEITO CASULO: Principais referências profissionais…

Tomazzi: Gosto do trabalho dos Irmãos Campana, do holandês Piet Hein Eek e do francês Philippe Starck. O trabalho da Lina Bo Bardi sempre será uma grande referência pra mim.


 FEITO CASULO: É formado em design industrial e arquitetura, porém hoje, atua mais no desenvolvimento de móveis (criação, desenho). O que motivou você para esse lado? Tem maior afinidade?

Tomazzi: Quando estudei design industrial na Udesc, já estava formado em arquitetura, mas depois de um ano percebi que o meu olhar já estava atento para o Design. Era uma questão de colocar a mão na massa e, a partir daí, comecei a participar de concursos nacionais, onde pude me aproximar do processo de criação de um móvel. Comecei a pesquisar materiais, a entender mais sobre ergonomia, questões que até então nunca tinha tido contato. Tive o importante apoio da professora Marta Dischinger, minha orientadora no TCC durante a faculdade.


FEITO CASULO: O que o inspira? Como funciona o seu processo de criação?

Tomazzi: Pela minha formação, eu vejo o móvel como arquitetura em pequena escala. Na verdade, tudo o que me rodeia e que me chama atenção pode me inspirar. Cada projeto vai me solicitar um olhar especial para algum objeto ou material. É algo muito intuitivo e natural. Estava desenhando uma mesa feita em chapa de metal, mas não sabia como estruturá-la por ser muito delgada. Alguns dias depois notei a solução para a estrutura de uma cobertura de concessionária de carros e resolvi o problema! 

Não posso esquecer de dizer também que São Paulo é uma cidade muito inspiradora: ela é caótica, cheia de contrastes, há muita mistura de pessoas e estilos, produz muita informação. Ela gera muitas referências para o meu trabalho, sem sombra de dúvida.


FEITO CASULO: Cadeira Goretti, Cadeira Baldini, Mesa ComPee, Luminária Junina e

Móveis São os seus olhos são criações suas?

Tomazzi: Todas as peças são de minha autoria e cada uma marca um período importante do meu trabalho, pois exigiu de mim um conhecimento novo, fosse sobre o material, ergonomia ou linguagem.


FEITO CASULO: Também gosta de fotografias? É um complemento, o que vê e registra motiva as suas criações?

 Tomazzi: Estudei fotografia durante o curso de design industrial e contribuiu para apurar o meu olhar sobre os objetos e “cenários” que me cercam. Comecei a registrar tudo que me chamasse a atenção, captar o momento que a luz estivesse incidindo de uma forma única sobre uma peça ou espaço. Detalhes que antes passavam batido,adustrialLO: e, em breve o procurarei.gonense. 5 de fevereiro, publicamos uma mat começaram a se tornar importantes pra mim e fazer parte do meu repertório visual.


FEITO CASULO: Os produtos que desenvolve têm um Q a mais. Surpreendem! Qual a sua ideia ao criá-los?

Tomazzi: Penso sempre em sair do óbvio, do que é conhecido ou tido como regra. Quando eu era criança em Itajaí, tinha um brinquedo de peças para montar um castelo medieval, mas achava superchato e monótono. Com as mesmas peças eu criava um barco, uma nave espacial, um robô, um prédio. Era muito divertido e talvez eu tenha resgatado essa forma de pensar os meus projetos. Na mesa Compee eu utilizei uma torneira de latão como puxador.

Quero que o móvel conte uma história, que ele emocione ou toque as pessoas de alguma forma, que as faça rir ou até gerar um estranhamento ao olhar. Não somos um país alegre, criativo, bem humorado, colorido e miscigenado? Claro que não é em todo projeto que consigo colocar todas essas questões, quando por exemplo a função do móvel é mais importante que os valores estéticos e simbólicos. Curto muito o processo de criação e busco o lúdico de certa forma. 


FEITO CASULO: Tem algum tipo de material que tem preferência em trabalhar? (madeira, plástico, inox….)

Tomazzi: Cada material tem sua beleza, textura, cor, resistência. O desafio maior é explorar as possibilidades de cada um, que podem ser diversas!  Gosto muito da madeira, é um material abundante e diversificado em nosso país, sempre foi muito utilizando na  história do móvel brasileiro, do colonial, passando pelo moderno até os dias de hoje. No entanto, não me limito a só um, procuro juntar materiais diferentes e contrastantes para criar algo novo e que surpreenda.


FEITO CASULO: Quando foi e como avalia a experiência com Rosenbaum? Durou quanto tempo? O que fez quando atuou no escritório dele?

Tomazzi: Trabalhar com o Marcelo Rosenbaum foi uma experiência muito marcante em vários pontos. Num curto espaço de tempo, amadureci pessoal e profissionalmente e vi de perto o quanto é difícil trabalhar propondo novos olhares e dar novas perspectivas da profissão de arquiteto e designer. Senti o peso de responsabilidade de trabalhar com um profissional com o olhar apurado e preocupado em buscar referências na cultura brasileira. Dentro do escritório trabalhei com arquitetura comercial, espaços cenográficos e expositivos, e na primeira edição do Lar Doce Lar dentro do programa do Luciano Huck.

 FEITO CASULO: Hoje, vive em São Paulo. Por que a mudança e que trabalhos têm realizado? Trabalha por conta? Faz parceria com alguma marca, loja do setor?

Tomazzi: Moro em SP faz cinco anos e ainda considero a cidade mais adequada ao exercício da minha profissão. É onde tenho contato com empresas e profissionais muito qualificados, tenho muito ainda a aprender com a cidade. Desde o ano passado tenho trabalhado como autônomo em projetos diversificados para diversos setores, mas pretendo focar em design de mobiliário daqui pra frente. O meu pontapé inicial foi o lançamento da mesa Compee ano passado pela Carbono Design, um loja especializada em design de vanguarda. Estou aberto a novas parcerias com indústrias e lojas do setor. 2011 promete!


FEITO CASULO: Qual s sua meta para 2011?

Tomazzi: Firmar o meu trabalho como designer de móveis, estreitar a relação com empresas do setor, sem perder o foco da responsabilidade de criar mobiliário com identidade nacional.


FEITO CASULO: Onde as pessoas encontram as peças que cria? São vendidas?

Tomazzi: A mesa Compee foi lançada no final do ano passado numa feira com o grandes nomes do design paulistano, e está sendo comercializada pela Carbono Design, como falei anteriormente. Estou finalizando outros produtos da mesma linha e espero ter em outros pontos de venda. A luminária Junina será apresentada na feira Paralela Móvel em São Paulo para lojistas de todo o país em fevereiro.


FEITO CASULO: Em SC tem algum trabalho seu à venda?

Tomazzi: Ainda não, mas espero em breve ter produtos produzidos e comercializados no Estado. 


por jana hoffmann 



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Fabrizio Rollo e o que está por vir!

Para quem interessar possa, este blog teve início – há pouco mais de um ano – com um post que resultou de um encontro muito especial para minha pessoa. Na cobertura de um evento de decoração em Florianópolis tive o imenso prazer de conhecer Fabrizio Rollo, na época, editor da Casa Vogue.

Como disse na estreia do Feito Casulo, Fabrizio é daquelas pessoas que não passam despercebidas. Cheio de personalidade, sabe brilhar. Tem estilo, é seletivo e de muito bom gosto, seja como arquiteto ou jornalista. Uma figura ‘excêntrica’ em todos os sentidos. Impressões, aliás, que vão muito além da aparência. Fabrizio Rollo tem conteúdo, atitude… impressiona.

Não é por menos que, ao longo de 18 anos, esteve à frente da edição da conceituada revista Casa Vogue. Agora, porém, não mais!

Fabrizio Rollo tem novos desafios e, segundo o próprio, “em 2011 continuará a editar a melhor revista de arquitetura e decoração do país.”

Quem acompanha as publicações Vogue no Brasil deve ter notado (ou não) que o título não pertence mais à Carta Editorial. Neste mês, veicula a primeira Casa Vogue por Edições Globo Condé Nast. Sim, produzida totalmente por uma equipe nova.

Nesta entrevista ao Feito Casulo, entre ‘otras cositas mas’, Fabrizio Rollo fala sobre que está por vir! Confira!


FEITO CASULO: 2010 está no fim. Profissionalmente, o que destacaria dos trabalhos e projetos que realizou ao longo deste ano? Foi produtivo?

FABRIZIO ROLLO: 2010 é um marco no meu crescimento pessoal e profissional! Um ano de dedicação a projetos residenciais e não só editoriais, pelos quais meu nome está ligado. Tenho aprendido muito neste ano, em especial a lidar com a minha sensibilidade e veracidade em tudo que faço, seja no lado pessoal ou profissional.


FEITO CASULO: Qual a máxima da arquitetura e design de interiores no ano de 2010?

FABRIZIO ROLLO: Orgânico X Racional. Não precisam estar opostos ‘anymore’! Este é o mais forte caminho de agora em diante. O encontro, o equilíbrio entre o racional e o orgânico é a máxima para a arquitetura e decoração!


FEITO CASULO: Você viaja muito. Como jornalista e arquiteto, o que observa nessas viagens, o que o inspira?

FABRIZIO ROLLO: Cheguei recentemente da Dinamarca. Estou fascinado pela elegância e pelo modo de vida daquele lugar. Desde a arquitetura neoclássica do século 18 aos exemplos de melhores representantes do design escandinavo do século 20, como Arne Jacobsen, Finn Juhl… Tudo me inspira. Olhar para o novo, aquilo que não vi antes me fascina, me inspira!


FEITO CASULO: Além de jornalista e consultor de estilo, no que se refere ao profissional arquiteto, quais foram as principais parcerias deste ano e como funcionam esses contatos, a seleção de parceiros?

FABRIZIO ROLLO: A escolha é supercriteriosa. Sou detalhista, perfeccionista e precisa rolar uma total sintonia entre a empresa e sua maneira de operar. A 6F e a Officeform (empresa catarinense) são fenomenais! Tanto o Marcelo Felmanas, da 6F, quanto o Helio Vanelli, da Officeform, são camaradas de caráter e de mente aberta.


FEITO CASULO: Mais uma vez você cria para a catarinense Officeform. Na coleção 2011 da grife, desenhou um sofá que acompanha basicamente a linha de aparador em aço, já produzida anteriormente. Que sofá é esse?

FABRIZIO ROLLO: A novidade agora é o sofá que batizei de ‘so fabulous’! Não é lindo? Quem não quer algo fabuloso? As mesas e o aparador são extensão da família da Mesa Parson Patchwork, que lancei na Casa Cor em 2009.


FEITO CASULO: Para 2011, quais são os desafios, projetos em mente ou já engatinhados na Carta Editorial? Teremos alguma publicação segmentada para o segmento décor?

FABRIZIO ROLLO: Por 18 anos editei a melhor revista de design, arquitetura e decoração do Brasil. Os títulos Vogue não estão mais na Carta e a equipe de redação da Revista Casa Vogue não foi para a nova editora. Em 2011 continuarei editando a melhor revista de arquitetura, design e decoração do Brasil. Será a minha revista!


FEITO CASULO: O que esperar do Fabrizio Rollo em 2011?

FABRIZIO ROLLO: Um cara amoroso, sincero, digno, elegante na alma. Comprometido com a verdade e qualidade acima de tudo! Um cara conhecido internacionalmente e que é referencia para o Brasil! Fabrizio Rollo não se esconde atrás de um título internacional! Fabrizio Rollo tem vida própria e dignidade! Em 2011 Fabrizio Rollo trará muitas novidades para este país que clama por cultura e informação. Tudo isso em uma nova e melhor edição.

 

 


 

Sofá 'so fabulous' desenhado por Fabrizio Rollo para a catarinense Officeform. A peça faz parte da coleção 2011 da grife



Por Jana Hoffmann

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Fabrizio Rollo é IN

Hoje o Feito Casulo completa dois meses e dois dias no mundo virtual.

Quem acompanha o blog sabe que o primeiro post foi um registro do bate-papo que tive com Fabrizio Rollo, da Casa Vogue, quando esteve em Florianópolis, no lançamento da coleção 2010 da Officeform.

Gostei demais da oportunidade, da aproximação física e visual, da troca de informação, do buchicho… como disse no post de estreia, é engraçado nossas impressões sobre alguém… melhor ainda é surpreender-se com as pessoas quando a conhecemos. Com Fabrizio foi assim. Mesmo que ligeiramente, durante uma conversa de trabalho – porém, bem informal – ele foi um “lord”, pura simpatia e muito autêntico na forma de se apresentar e no que diz. Simplesmente, Fabrizio Rollo. A frase onde ele fala sobre LUXO é uma das que mais gostei.

Cada um interpreta à sua maneira, mas eu penso que o LUXO não se restringe apenas àquilo que julgamos como ostentação, sofisticado, over… O luxo está na forma como cada um vê as coisas. O que é luxo para mim, pode não ser para você. Assim, VICE-VERSA.

Então, com a frase de FABRIZIO ROLLO (abaixo) apresento a vocês a gravação do bate-papo entre eu e ele. Sim, depois de todos estes dias estou liberando o vídeo. Tem uma explicação: tive que fuçar o programa de edição do note para editar as imagens, inserir efeitos, trabalhar com o áudio… ufa… só assim mesmo… demorou, mas fiquei feliz por fazê-la… para a primeira edição ‘by jana’, vale o desconto… prometo “incrementar outras que virão”. Espero, sinceramente, que gostem!

“Luxo é conversa de ouvido, não é o que está espalhado pelo mundo. Pode ser de alta qualidade, mas não é luxo. Luxo é para poucos. Luxo é exclusividade.”  Por Fabrizio Rollo

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Bst-fdsQFnA]

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