Jardim Estar é o projeto de Ana Trevisan para a CASACOR SC Florianópolis 2018

Esta é a oitava participação da arquiteta Ana Trevisan na CasaCor SC Florianópolis. Desta vez a profissional projetou o Jardim Estar, um espaço de passagem. A integração entre os ambientes se dá por meio de uma escada ampla, com patamares irregulares e que foi moldada no local. “Nos inspiramos na arquitetura modernista: o concreto bruto, que em sua forma nua e crua – sem pintura nem revestimento – enaltece a beleza do imperfeito, na essência da sua forma.”

Apesar de ser um espaço inclinado de passagem, o local poderia ser um belo convite ao passeio. Por isso, em um dos degraus foi criado um prolongamento que forma um banco, justamente para convidar as pessoas para uma pausa, um momento para se estar, relaxar, sentar e ouvir os sons, movimentos, cores e texturas do jardim.

Na área de 300 metros quadrados, uma escultura de Marta Berges, chamada Abstração de um olhar, dá as boas-vindas aos visitantes. Uma criação tridimensional e com movimento, confeccionada em módulos de compensado naval. A peça é uma desconstrução da paisagem, inspirada nas curvas, insinuando a baía de Santo Antônio, na água do mar, na areia, nos morros verdes e no céu.





Na parte superior da escada foi planejado um espaço embaixo das únicas árvores que já estavam presentes no terreno, dois exemplares de espatodeas (Spathodea campanulata). Sob às arvores Ana criou um recanto aconchegante, onde o balanço de madeira relembra a infância e os pufes convidam para a permanência. O charme, ou cereja do bolo, fica com as casinhas de passarinho, as Gotinhas Birdhouse, criadas pelo Studio Lattoog.

Não passa despercebido o projeto luminotécnico que destaca a escada, onde foram acoplados aos degraus perfis metálicos com fitas de LED, resistentes à umidade, para indicação e iluminação da passagem. Nas demais áreas do jardim foi criada uma luz agradável aos visitantes com o cuidado de não causar danos à vegetação. Nas árvores maiores foram posicionados up-lights para ressaltar as copas, possibilitando também uma sensação de monumentalidade.

E não para por aí: o projeto de Camila Petersen e Fábio Yokomiz, Somos Parte da Paisagem, traz, na forma de lambe-lambe aplicada nos degraus da escada, histórias reais que se conectam com o bairro de Santo Antônio de Lisboa, provocando um olhar sensível e afetivo sobre o local. Essa ação, segundo a arquiteta, nos lembra de que a cidade é feita primordialmente de pessoas e de suas histórias, sejam elas bonitas, trágicas, engraçadas ou por vezes banais.



Vegetação escolhida

A vegetação entrou de forma orgânica, invadindo os degraus. A escolha de espécies vegetais tropicais para composição dos canteiros levou em consideração as indicações para projetos desenvolvidos em áreas inclinadas. “Exploramos a composição vegetal de mesma família ou por similaridade no aspecto, como fórmios, liriopes, dianellas, cicas e dracenas, trabalhando as alturas, texturas e contrates das cores das folhagens: verde, variegata e rubro”, explica Ana.

O posicionamento das plantas nos canteiros de linhas curvas, permeia a escada e as bordas do espaço. Destaque para as espécies adultas  de Cycas circinallis, com beleza elegante e escultural, que ganharam atenção especial, formando um conjunto de nove indivíduos com troncos simples e duplos.

Contracenam com o Jardim Estar os tons de azuis, que aparecem nos pufes, no balanço e na obra de arte. Combinados às cores das plantas, trazem uma proposta contemporânea.

*** Texto produzido com informações da arquiteta Ana Trevisan.

SERVIÇO

O QUE: CASACOR Santa Catarina / Florianópolis 2018
QUANDO: 14 de outubro a 25 de novembro
Terça a Sexta, das 15h às 21h / Sábado, das 13h às 21h / Domingo, das 13h às 19h
ONDE: Caminho dos Açores, 1.410, Santo Antônio de Lisboa
INGRESSOS: Inteira, R$ 40 /Meia, R$ 20  /Passaporte, R$ 100

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Arquiteto Marcelo Salum apresenta conceito nômade na Sala Kidron da CASACOR SC Florianópolis 2018

O conceito nômade é interpretado pelo arquiteto Marcelo Salum na Sala Kidron, projeto criado para a CasaCor SC Florianópolis 2018. O movimento do deslocar-se, para o arquiteto, ganha outro significado no espaço de 60 metros quadrados, pensado para um médico terapeuta, que recebe amigos e pacientes para conversas de aprendizado e aprofundamento das questões da alma. Vai muito além do fato de não estabelecer morada fixa.

“Esse conceito vem da própria palavra nômade que significa que o personagem não tem morada fixa e se desloca constantemente de lugar. Faço analogia com a própria natureza humana, que está sempre em movimento, expandindo e retraindo. Trazendo essa denominação para a arquitetura podemos dizer que o que é sólido se desfaz no ar, se transforma em outro lugar”, explica o arquiteto.

Neste território que descortina as dunas do deserto, o ambiente foi criado com elementos que remetem a este eterno fluxo. Uma massa de pedras ornamentais – preciosas e semipreciosas no tom bege – cobre paredes e teto. No piso, a pedra de Limestone faz menção a lembrança da areia e reforça a ideia de transitoriedade.

Fotos Mariana Boro

“O espaço é definido por um estar com uma mesa de escritório. Nas quatro paredes foram estruturados painéis em proporção áurea na lâmina natural freijó, que resguardam obras de arte dos artistas Juliano Aguiar, Walmor Corrêa, Yuri Seródio, Lilian Mansur, Maria Helena Ferraz e Renato Dib. Num deles foi desenhada uma estante inspirada no árabe Cúfico (escrita árabe), para abrigar esculturas da artista Sara Ramos, livros e objetos de decoração. Toda essa composição é evidenciada por uma iluminação indireta”, complementa Salum.

O tema também inspirou as recentes criações do seu estúdio Fresa, em soma com o designer Frederico Cruz, lançadas no espaço, como o sofá, um par de poltronas, outro de mesas e uma chaise longue. “Exploramos as formas arredondadas com visual despojado, priorizando conforto”, conceitua. O mobiliário contracena com objetos de antiquários e peças assinadas por Aristeu Pires, Lattoog e Moooi.

“Nos tecidos a cor predominante é o rosa queimado, deslocando o tom das paisagens de algumas regiões do Oriente Médio. Algumas pinceladas de azul marinho transportam a lembrança do crepúsculo, horário tão importante para o povo dessa região. Para a decoração foram produzidas almofadas e pufes de Jogin, mantas antigas usadas em tendas iranianas”, conta Salum.



O significado de Kidron

Kidron, Cedro em árabe, é uma madeira que teve grande importância em várias civilizações – fenícios, egípcios, gregos, romanos. Alguns místicos dizem que a árvore simboliza força e resiliência. Sua imagem também estampa a bandeira do Líbano, país de origem da família Salum, estabelecida há anos no Brasil, celebrando exemplo de mobilidade entre as nações. A árvore desdobra três obras assinadas pelo designer Fernando Bertolini especialmente para o espaço.

Produção de Texto: Luciana de Moraes (A Casaa)

 

SERVIÇO

O QUE: CASACOR Santa Catarina / Florianópolis 2018
QUANDO: 14 de outubro a 25 de novembro
Terça a Sexta, das 15h às 21h / Sábado, das 13h às 21h / Domingo, das 13h às 19h
ONDE: Caminho dos Açores, 1.410, Santo Antônio de Lisboa
INGRESSOS: Inteira, R$ 40 /Meia, R$ 20  /Passaporte, R$ 100

 

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Arquiteta Cris Passing cria casa sustentável e transportável dentro da CASACOR SC Florianópolis 2018

Uma das novidades da CASACOR SC Florianópolis 2018 é a construção de uma residência de verdade na mostra. O detalhe é que a Casa Grigio (que significa cinza em italiano), da arquiteta Cris Passing, não foi montada apenas para o evento. A técnica usada na construção permite que ela seja levada para outro terreno depois, o que de fato será feito. Ou seja: ela é transportável. Emais: é toda sustentável, feita em madeira de reflorestamento, otimiza luz natural e ventilação cruzada para economia de energia, e tem mobiliário de fornecedores com selo de sustentabilidade. Confira a entrevista com a arquiteta Cris Passing sobre o projeto da Casa Grigio:

O que é uma casa sustentável para você?
Casa sustentável é respeito com a natureza, é evitar desperdício dos recursos, que são limitados, reutilizar tudo que for possível. A ideia na Casa Grigio, por exemplo, é não apenas montar algo bonito para uma mostra e depois desmontar e transformar tudo em lixo. Essa casa realmente terá um uso, vai continuar tendo vida.

 

Fotos Mariana Boro

Nessa casa você teve uma preocupação que foi desde os materiais utilizados até os fornecedores de mobiliário, de adquirir marcas que também tenham essa preocupação. Como uma pessoa que não é do ramo da arquitetura pode fazer para selecionar marcas que respeitem a natureza?
As empresas que se preocupam com sustentabilidade recebem alguns selos que dão essa garantia ao consumidor. A quem quer comprar apenas de empresas comprometidas com o meio ambiente eu recomendaria que fizesse uma pesquisa, antes, para verificar se conquistou algum selo, o que faz com os resíduos, se reutiliza, como destina, que tipo de materiais usa, verificar se tem reaproveitamento, reflorestamento.

Quais são as soluções de sustentabilidade que você trouxe para a Casa Grigio?
O próprio sistema construtivo, que usa madeira de reflorestamento, que é sustentável, que pode ser montada e desmontada, aproveitamos a iluminação natural, temos ventilação cruzada, integração com a natureza, luz de LED, empresas que cuidam dos seus recursos.

O tema desse ano é ‘Casa Viva’. Tudo a ver com o projeto, que nasceu para sair daqui e virar uma casa para morar, né?
Casa viva é essa integração da casa, mesmo, com todo esse ambiente. Esse muro verde, aqui no fundo, por exemplo, é natural da casa. Quando eu vi o espaço, já pensei: nossa, vou fazer uma casa toda envidraçada para aproveitar esse fundo verde lindo. Já imaginei fazer a casa de banho lá atrás, a ideia já veio. O projeto interior foi pensado junto com a arquitetura, pensando em explorar a luz natural e os visuais da casa, o contato com a natureza. Estamos trazendo plantas naturais, flores… Uma casa, na minha opinião, para ser viva precisa ter convivência entre as pessoas, por isso eu gosto dos espaços integrados. E é isso que eu espero, na CASA COR SC, que as pessoas venham pra Casa Grigio. Para quem chegar aqui, vai ter um piano tocando, vai ter música, então quero que as pessoas aproveitem a casa, o momento.

Por falar no piano, ele já era uma atração à parte antes mesmo da mostra abrir. Ouvimos falar que as pessoas estavam fazendo videoselfies, fazendo de conta que estavam tocando, pelo fato do piano tocar sozinho.
Ele é um piano acústico, de cauda, que tem as duas funções: pode ser tocado ou toca sozinho. É de cauda, mas é super compacto, pequeno. Eu gosto muito de música clássica, apesar de não tocar. Temos pianistas na família e nos nossos encontros sempre temos música. A ideia é que as pessoas sintam-se em casa.




Conheça outros projetos da CASACOR SC Florianópolis 2018.

Curiosidades da Casa Grigio:

– A espessura das paredes e das vigas e pilares que formam a sua estrutura foi dimensionada dentro das normas do Canadá, já que o wood frame (método construtivo usado) é novidade no Brasil e ainda não há regulamentação por aqui.
– Essa técnica construtiva já é muito usada em países da Europa e nos Estados Unidos, além do Canadá, onde foi criada.
– A ideia original de Cris Passing era remontar a casa, depos da mostra, em um sítio da família em Rancho Queimado. Mas ela já tem compradores interessados na moradia.
– Só a fachada tem 21 metros de comprimento em vidro, material que está presente em mais de 90% das paredes e até em algumas partes do teto, como no banheiro.
– A privacidade dos moradores fica por conta da própria natureza que cerca a casa. Tudo faz parte: árvores nativas, frutíferas, cerca viva, jardim. Entre os cômodos não há divisórias, é tudo integrado.
– No banheiro, nem mesmo os dois chuveiros têm box. Os moradores podem, por exemplo, tomar banho lado a lado, sob o céu que é visto através do teto de vidro. No quarto, o guarda-roupas também é de vidro.
– As poucas paredes são cinza, cor natural das placas cimentícias que as revestem. O tom é a nova paixão de Cris. Por isso o nome Casa Grigio, tradução de cinza em italiano, uma referência ao país famoso pelo design, que é adorado pela arquiteta.
– A ventilação da casa é cruzada para arejar bem e dispensar o uso do refrigerador de ar, a madeira é um isolante térmico natural, as cortinas são de tecido natural.
– O design limpo, sem modismos, sobrevive ao tempo e permite viver muitos anos no espaço sem cansar.
– Na sala, um objeto de desejo: um piano de cauda Yamaha high tech, que “toca” sozinho e de forma acústica músicas escolhidas por wi-fi, inclusive replicando o movimento das teclas, como se um fantasma o estivesse tocando. Piano é uma tradição familiar da arquiteta.
– O tapete de tecido fofinho da sala de estar é bom de pisar e até de sentar. É uma espécie de convite pra chegar e ficar.
– A bancada da cozinha é feita de uma pedra Orix, super resistente, em tons de cinza, mesclando com nuances azuladas e levemente douradas, da linha Dekton, que recém foi lançada no I Saloni del Mobile em Milão.
– Tanto a pedra como o MDF usados no cômodo são de empresas que conquistaram selos internacionais de sustentabilidade por respeitar a natureza.
– Na cozinha também está uma grande adega da linha sommelier da Art des Caves, que tem três temperaturas diferentes para armazenar separadamente vinhos brancos, tintos e espumantes.
– No quarto de casal, a cama e o criado mudo são lançamentos da Masotti. Na parede do cômodo, um quadro do artista Gabriel Wickbold orna o espaço.
– O lustre da sala é da Ouse e a iluminação da casa, toda em LED, é de Jader Almeida.

Produção do texto: Bianca Backes – Alvo Conteúdo Relevante

 

SERVIÇO

O QUE: CASACOR Santa Catarina / Florianópolis 2018
QUANDO: 14 de outubro a 25 de novembro
Terça a Sexta, das 15h às 21h / Sábado, das 13h às 21h / Domingo, das 13h às 19h
ONDE: Caminho dos Açores, 1.410, Santo Antônio de Lisboa
INGRESSOS: Inteira, R$ 40 /Meia, R$ 20  /Passaporte, R$ 100

 

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